História – GDS Cascais

A 13 de Março de 1015 num baile no Teatro Gil Vicente, em Cascais, um grupo de rapazes da terra, deliberou apresentar naquele teatro uma revista de costumes locais por eles representada, encarregando-se de escrever os textos a que deram o título de Sapatadas, os Srs. Álvaro de Meneses Leal e João Pereira de Freitas. Após intensíssimos esforços, ensaiaram, montaram os cenários, idealizaram o guarda-roupa, e no dia 9 de Maio daquele ano, com o teatro completamente cheio, subia à cena a mencionada e divertida revista, que obteve notável êxito, partilhado pelos actores e promotores, que ficaram radiantes. Logo depois da representação foram todos cear ao Restaurante Flor da Ponte, no Largo de Camões (onde hoje se encontra o Restaurante John Bull), onde no meio da maior alegria, por proposta de José Florindo de Oliveira Júnior, se decidiu fundar um grupo dramático.

Fundadores

Para que tudo ficasse bem assente em bases de fundação, ficou resolvido reunirem-se novamente os presentes no dia 13 de Maio seguinte, naquele mesmo restaurante, para que se iniciasse a vida colectiva.

Ficou assim como data de fundação do grupo o dia 13 de Maio de 1915.

Foi depois decidido dar ao agrupamento o nome de Grupo Dramático Álvaro Leal, como homenagem a este distinto académico, deliberando-se que seriam sócios fundadores os Srs., Álvaro de Mendes Leal, João Pereira de Freitas, José Florindo de Oliveira Júnior, António Boaventura Santa, Armando Júlio de Oliveira, Joaquim José de Oliveira Aguiar, Fernando Duarte Cabral, Manuel Ferreira da Silva, Joaquim Teotónio de Aguiar Segurado, José Constantino Pereira Jorge, Mário de Jesus Ferreira, Bernardino Augusto da Silva, António Gomes Simões, António Gonçalves Coimbra, José Cardoso Rodrigues, Joaquim Olegário Júlio Ferreira, Eugénio Nunes Ribeiro, Manuel Lázaro Nunes, José Zacarias Duarte Cabral, José Cornélio, José Dias Moreira Júnior, Manuel Ferreira, João Marinha Arraia, José Segurado e Telmo Vilar Moniot. Vão completar, agora 100 anos sobre a data que aqueles 25 amadores da arte de Talma, movidos pelo seu ideal, se constituiriam em grupo. Mas todos eles, jovens que eram, também tinham o vírus do desporto e por isso, alargaram a sua acção, aquele campo de actividade, e ainda não se tinha completado um mês após a primeira reunião.

Para tanto resolveram mudar o nome da colectividade para Grupo Dramático e Sportivo de Cascais (G. D. S. Cascais), adaptando como o lema: “ARTE, SPORT e BEM”.

Assim, na Arte havia teatro, com a revista “Sapatada”, a que se seguira outras peças teatrais de grandes êxitos, entre as quais se destacam, a Tasca, D. Cesar de Bazan, Alfinetadas, Só d´óculos, entre outros. Também no sector da Arte se formou um grupo de canto coral, ensaiado pelo distinto associado, Padre Caetano Baptista. No campo do “Sport”, o grupo começou com a secção de Futebol, disputando os Campeonatos no núcleo de Oeiras – Sintra – Cascais, seguindo-se outras secções, tais como: Pólo Aquático, Natação, Ping Pong, Ciclismo, Andebol de 11, e anos depois foram introduzidas outras modalidades, tais como: Basquetebol , Pesca, Hóquei em Patins, Ginástica, Badmington, Judo, Karaté, Andebol de 7, Hóquei em Campo, Corridas em Patins, Rugby, entre outros.

Pneumónica

No âmbito do BEM, obedecendo à divisa, realizaram-se várias festas, tais como: bailes, arraiais, peças teatrais, provas desportivas, entre outras, quase todas elas a favor de pessoas de fracas possibilidades económicas, a quem a má sorte bateu à porta. Mas um dos maiores bens que este grupo praticou, foi por ocasião da terrível epidemia da pneumónica, em 1918 (peste terrível, que arrasou o nosso País). A direcção do grupo, transformou a sua sede, em refúgio de órfãos, e ali albergou, durante vários meses, até que as pôde colocar em orfanatos e casas de caridade, cerca de 50 crianças, a quem alimentou, vestiu e deu assistência médica, prestada pelos associados Dr.s António Pereira Coutinho e Rui Dique Travassos Valdez.

Tauromaquia

O G. D. S. Cascais foi também proprietário de duas praças de toiros em Cascais – a primeira inaugurada em 4 de Julho de 1915 – ambas oferecidas pelo amigo e associado Sr. Alfredo Paulo de Carvalho. Por ali passaram grandes nomes da tauromaquia portuguesa, sendo quase todas as corridas, realizadas em benefício de colectividades locais, tais como a Associação Humanitária Recreativa Cascaense (hoje Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais), Sociedade Musical de Cascais, Clube Almeida Garret, Santa Casa de Misericórdia de Cascais, entre outras, que iam ali buscar receitas para o seu funcionamento. Ao longo dos seus 100 anos, já conheceu oito locais como sede, sendo a primeira, no largo Luís de Camões (por cima da Ourivesaria Ideal), por deferência do associado José Florindo de Oliveira Júnior, passando depois para a rua Afonso Sanches, onde está hoje a Câmara (Edifício do Vidraceiro), de onde passou para o antigo Casino Baía, na Praça Costa Pinto (que depois, nos anos 30, foi sede da Sociedade Musical de Cascais), seguindo-se, como sede provisória, o antigo Casino da Praia; depois para um edifico na Rua Regimento 19, daqui para outro prédio, camarário (onde hoje se encontra a Junta de Freguesia), na Rua das Flores, para o “antigo” Pavilhão dos Desportos de Cascais. Actualmente, a sede do G. D. S. Cascais encontra-se no “novo” complexo desportivo da Guia. Quanto ao campo de Futebol na Avenida da República, em Cascais, terreno que era um pinhal, foi em princípio emprestado ao Grupo Dramático pelo seu proprietário, Sr. Guilherme Salgado, para nele fazer o seu parque de jogos. Assim, os associados do grupo, ajudados pelos milhares de aquartelados na Cidadela, desbravaram o terreno, dando-lhe a forma de um campo de futebol. Em 30 de Junho de 1038, para salvaguardar o terreno, foi feito um contrato de arrendamento entre o proprietário, Sr. Guilherme de Sousa Ottero Salgado, e o Grupo Dramático e Sportivo de Cascais, pela quantia de 10$ mensais, declarando ainda o proprietário que este preço moderado é pelo amor que tem ao deporto e ao Grupo Dramático. Assinaram o proprietário e o Presidente do Dramático, Sr. Vitor Manuel Ferreira Bazaliza. Nos anos 50, a Câmara Municipal comprou todo o terreno, no hoje chamado Bairro do Rosário, ao proprietário, Sr. Guilherme Salgado, ficando nele integrado, o campo de Futebol, mantendo a Câmara, no entanto, o contrato de arrendamento na sequência do contrato inicial. Deu já este grupo grande número de atletas ao País, integrados nas suas selecções nacionais, nas seguintes modalidades: Futebol (Juniores e juvenis), Pesca, Badmington, Hóquei em Patins, Hóquei em Campo, Corridas em Patins, Rugby, Ginástica, entre outras modalidades. Actualmente, o G. D. S. Cascais, é o maior clube do Concelho de Cascais, sendo que tem as seguintes modalidades disponíveis: Futsal, Futebol, Hóquei em Patins, Ginástica Acrobática, Rugby, Voleibol, Judo, Karate, Pólo Aquático, Kickboxing, Boxe, Muay-thai, Krav Maga, Jiu-Jitsu, Pesca Desportiva, Ballet, Aulas de Grupo Academia, Musculação e Cardio-Fitness e Surf.